EduKamus
terça-feira, 19 de junho de 2012
"Negrinha" - Monteiro Lobato
Marxismo em questão (Sociologia - 2º Ano)
Frei Betto
Cristianismo e marxismo*
As relações entre marxistas e cristãos
O marxismo é, sobretudo, uma teoria da práxis
revolucionária. Isso não impede que certos marxistas queiram transformá-lo numa
espécie de religião com seus dogmas, fundada na leitura fundamentalista que faz
das obras de Marx, Engels e Lenin uma nova bíblia. Afinal, o marxismo, como
qualquer obra teórica, jamais poderá ter uma única leitura. O processo
epistemológico ensina que um texto é sempre lido a partir do contexto do
leitor. Esses “óculos" da realidade determinam a interpretação da teoria.
Assim, a obra de Marx pode ser lida pela ótica do
materialismo positivista de Kautsky, do neokantismo de M. Adler, do
hegelianismo voluntarista de Gramsci ou objetivista de Lukacs, do
existencialismo de Sartre, do estruturalismo de Althusser, bem como à luz da
luta camponesa de Mao Tsé-Tung, da guerrilha cubana, da realidade peruana de
José Carlos Mariátegui ou da insurreição popular sandinista.
O que importa é utilizar a teoria marxista
como ferramenta de libertação dos povos oprimidos e não como uma árvore
totêmica ou um talismã. Fruto da luta do proletariado, o marxismo deverá ser
sempre aferido por essa mesma luta, pois só assim não perderá seu vigor
revolucionário para transformar-se numa abstração acadêmica.
Nesse sentido, o marxismo e os marxistas não podem
ignorar o novo papo do cristianismo como fermento de libertação das massas
oprimidas da América Latina. Contudo, para apreender esse potencial
revolucionário do cristianismo, o marxismo deverá romper a camisa-de-força de
sua ótica objetivista e reconhecer o papel da subjetividade humana na história.
Isso implica a superação da tendência economicista e, nos regimes socialistas,
de uma certa “metafísica do Estado", para se admitir a autonomia relativa
das superestruturas. A prática revolucionária extrapola o conceito e não se
esgota em análises estritamente científicas, pois encerra necessariamente
dimensões éticas, místicas e utópicas. O progresso alcançado pelos países
socialistas e a ideologia encarnada pelo partido são insuficientes para
equacionar todos os aspectos da relação interpessoal e suas conseqüências
sociais e políticas.
Aliás, que contradição haveria entre o papel
determinante da subjetividade humana e o materialismo histórico? Como
determinante ''em última instância", a esfera econômica resulta no
complexo formado pelas forças produtivas e pelas de produção. São essas
relações de produção que determinam o caráter das forças produtivas. Falarem em
reações de produção é admitir que, “em primeira instância, estão as relações de
classe, a militância revolucionária das classes dominadas, cuja consciência e
prática são determinantes na esfera econômica. Ao contrário, negar a
importância da subjetividade e da intencionalidade humanas é pretender reduzir
o marxismo a uma teoria puramente científica, é incorrer numa espécie de
neo-hegelianismo que devolve a marcha da história ao controle de uma razão
absoluta e universal. A riqueza e a originalidade da teoria marxista reside
justamente em estar vinculada a prática revolucionária que, cm sua dinâmica,
confere e contesta a teoria que a inspira e orienta. Sem essa relação dialética
teoria-práxis, o marxismo se esclerosa numa ortodoxia acadêmica perigosamente
manipulável por quem controla os mecanismos de poder.
Esse primado da prática tem levado os marxistas a
reconhecerem que, por vezes suas concepções a respeito da religião são
religiosas no sentido de dogmáticas desvinculadas da prática histórica. Por
isso, de olho no que se passa hoje na América Latina, o 2º Congresso do Partido
Comunista Cubano, em dezembro de 1980, aprovou uma resolução na qual proclama
que:
o significativo processo de
incorporação massiva e ativa de grupos e organizações cristãs, incluindo
elementos do clero católico e de outras denominações, nas lutas de libertação
nacional dos povos da América Latina, como Nicarágua, El Salvador e outros, e o surgimento
de instituições e de centros ecumênicos que desenvolvem atividades
decididamente progressistas e promovem o compromisso político e a união
combativa de cristãos revolucionários e marxistas, a favor de profundas
mudanças sociais no continente, demonstram a conveniência de continuar
contribuindo para a consolidação sucessiva da frente comum em nosso hemisfério
e em todo o mundo.
O avanço maior na relação entre cristianismo e
regime popular dá-se hoje na Nicarágua, onde pela primeira vez na história os
cristãos participaram ativamente do processo de libertação. Esse fato por si só
derruba o caráter de axioma dado à afirmação de que “a religião é o ópio do
povo" (como disse Marx – querendo dizer que a religião aliena a população –
grifo meu). Tanto que, pela primeira vez na história, um partido
revolucionário no poder - a Frente Sandinista de Libertação Nacional - emitiu
um comunicado oficial em outubro de 1980 sobre a religião, no qual se diz:
Alguns
autores afirmam que a religião é um mecanismo de alienação dos homens, que
serve para justificar a exploração de uma classe sobre a outra. Essa
afirmação, sem dúvida, tem um valor histórico, na medida em que, em diferentes
épocas históricas, a religião serviu de suporte teórico à dominação política,
Basta recordar o papel desempenhado pelos missionários no processo de dominação
e de colonização dos indígenas de nosso país. Entretanto, os sandinistas
afirmam que nossa experiência demonstra que quando os cristãos apoiando-se em
sua fé, são capazes de responder as necessidades do povo e da história, suas
mesmas crenças os levam à militância revolucionária (...)
Portanto, falsas certezas estão sendo desmontadas
pela prática histórica. Nos últimos 20 anos, nos países do Terceiro Mundo,
especialmente na América Latina, o cristianismo passa a revelar seu caráter
libertador como expressão de resistência e luta dos oprimidos. E, por outro
lado, contrariando todos os prognósticos acadêmicos, a religião não desapareceu
nos regimes socialistas. Ao contrário, as igrejas constituem, hoje, importante
força na luta pela paz e cresce o número de seus fiéis, Perduram, sim,
dificuldades intra e extra-eclesiais. Dentro das igrejas, bispos e pastores não
tem suficiente clareza e consenso quanto à maneira de inserção pastoral nos
regimes socialistas. Fora, sobretudo no âmbito dos partidos no poder, certos
preconceitos anti-religiosos nutrem a discriminação que reforça a proximidade
entre cristãos e setores contra-revolucionários.
É verdade que também entre cristãos permanecem
tabus com relação ao socialismo. A propaganda capitalista é bastante forte para
alimentar terríveis fantasmas que provocam insegurança e medo. E muitas vezes o
sectarismo de certos militantes marxistas reforça a ideia de novos cruzados
combatendo cm nome de urna nova fé de conseqüências totalitárias. Se hoje é
mais difícil encontrar, em documentos oficiais da Igreja Católica, as veementes
proclamações anticomunistas do tempo do Papa Pio XII, também não abundam
simpatias para com o socialismo. Há, sim, aberturas doutrinárias e políticas:
primado do caráter social da propriedade, a socialização dos bens, primado do
direito de uso sobre o direito de posse e, na política, a diplomacia realista
do Vaticano estreitando relações com quase todos os países socialistas. Um dos
raros exemplos de clara opção socialista, por parte de bispos, está nestes
documentos regionais divulgados no período mais negro da ditadura militar
brasileira, quando a própria Igreja era intensamente atingida:
É preciso vencer o capitalismo.
Ele é o mal maior, o pecado acumulado. a raiz estragada, a árvore que produz
esses frutos que nós conhecemos: a pobreza, a fome, a doença, a morte da grande
maioria. Por isso é preciso que a propriedade dos meios de produção (das
fábricas, da terra, do comércio, dos bancos, fontes de crédito) seja superada
[...] Por isso, queremos um mundo em que haja um povo só, sem a divisão entre
ricos e pobres.
Menos popular, o discurso deste outro documento é
melhor articulado:
O processo histórico da sociedade
de classes e a dominação capitalista conduzem fatalmente ao confronto das
classes. Embora seja isto um fato cada dia mais evidente, este confronto é
negado pelos opressores, mas é afirmado também na própria negação. As massas
oprimidas dos operários, camponeses e numerosos subempregados dele tomam
conhecimento e assomem progressivamente uma nova consciência libertadora. A
classe dominada não tem outra saída para se libertar, senão pela longa e
difícil caminhada, já em curso, em favor da propriedade social dos meios de
produção. Este é o fundamento principal do gigantesco projeto histórico para a
transformação global da atual sociedade numa sociedade nova, na qual seja
possível criar as condições objetivas para os oprimidos recuperarem a sua
humanidade despojada, lançarem por terra os grilhões de seus sofrimentos,
vencerem o antagonismo de classes, conquistarem, por fim, a liberdade.
Marxistas e cristãos têm mais arquétipos em comum
do que supõe a nossa vã filosofia. Um deles é a utopia da felicidade humana no
futuro histórico-esperança que se faz mística na prática de inúmeros militantes
que não temem o sacrifício da própria vida. Marx chama esta plenitude de reino
da liberdade e, os cristãos, de reino de Deus. No terceiro volume de O Capital ele escreve
que "o reino da liberdade inicia ali onde cessa o trabalho condicionado
pela necessidade e pressão externa; o reino da liberdade está situado, pois, e
por força das coisas, além do âmbito da produção material". Ora, nada na
política ou na história garante a realização dessa meta, como também a salvação
esperada pelos cristãos não tem explicação histórica, é dom de Deus. Mas há, no
mais profundo do nosso ser, o desejo comum de inúmeros marxistas e cristãos de
que a humanidade elimine todas as barreiras e contradições que dividem ou
separam os homens. E a esperança incontida de que o futuro será como a mesa
posta em tomo da qual, irmanados, todos haverão de partilhar a fartura do pão e
a alegria do vinho O caminho capaz de levar a essa aspiração, derrubando
preconceitos e provocando a unidade, não será certamente o das discussões
teóricas, mas sim o do compromisso efetivo com a luta de libertação dos
oprimidos.
Texto retirado do livro O Marxismo na América Latina, organizado por Michael Löwy.
Com base nas nossas conversas sobre Marx e no texto acima, comente, debata e discuta, quantas vezes quiser sobre como o Marxismo e a luta de classes pode ser ajudada ou atrapalhada pela Igreja!
Data limite para as postagens: 30/06/2012 até 23h59
Política e Sociologia (1º Ano)
Em nossas aulas sobre política e sociologia vimos alguns conceitos sobre política e formação do cidadão. Assim proponho a vocês que discutam e conversem o máximo possível sobre algumas questões.
Data limite para as postagens - 28/06/2012 até as 23h59
Com base nas imagens abaixo faça uma relação das duas comentando como a política pode ser um fator de mudança da sociedade. Este espaço é de vocês, por isso vamos colocar as ideias, propostas, análises e tudo mais em prática...
Data limite para as postagens - 28/06/2012 até as 23h59
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Deputado é contra projeto de “cura gay” da bancada evangélica
O deputado Jean Willys (Psol-RJ)
divulgou sua posição contrária ao projeto de lei do deputado tucano João Campos
(GO), líder da Frente Parlamentar Evangélica, “que quer permitir as terapias
que prometem mudar a orientação sexual das pessoas, transformando magicamente
gays em heterossexuais, como se isso fosse possível — aliás, como se isso fosse
necessário”, diz o parlamentar.
O projeto de Campos busca sustar a aplicação da Resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP), de 23 de Março de 1999, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual. A resolução do CFP que o deputado Campos quer derrubar por lei proíbe as chamadas terapias “cura gay”.
“Não bastasse a inconstitucionalidade do projeto, que contraria os princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988 (art. 1º, proteção da dignidade da pessoa humana; art. 3º promoção do bem de todos sem discriminação ou preconceito; art. 196º, direito à saúde, entre outros), a proposta vai contra todos os tratados internacionais de Direitos Humanos, que também têm como objetivo fundamental o direito à saúde, a não discriminação e a dignidade da pessoa humana, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, entre outros”, diz Willys, ao se posicionar contrário ao projeto.
Para o deputado socialista, “(Campos), por convicções puramente religiosas, se considera no direito não só de ir contra os direitos humanos de milhões de cidadãos e cidadãs brasileiras, mas também de desconstruir um ponto pacífico entre toda uma comunidade científica: nem a homossexualidade, nem a heterossexualidade, e nem a bissexualidade são doenças, e sim uma forma natural de desenvolvimento sexual”.
E explica que “nenhuma é melhor ou pior ou mais ou menos saudável do que as outras. São simplesmente diferentes e não há nenhuma dissidência quanto à isso. O argumento de que a homossexualidade pode ser “curada” é tão absurdo como seria dizer que a heterossexualidade pode ser “curada” e é usado sem qualquer tipo de embasamento teórico ou científico e sempre por fanáticos religiosos que tem com o objetivo confundir a população com suas charlatanices”.
E conclui destacando que “há uma preocupante confusão na sociedade, incitada por esse fundamentalismo religioso, que precisa ser esclarecida antes que a saúde física e psíquica de mais jovens seja afetada”. E lembra que “se o Estado é laico – como o é o brasileiro desde 1890 – questões de cunho moral e místico não podem ser parâmetro nem para a elaboração das normas nem para o seu controle. Valores espirituais não podem ser impostos normativamente ao conjunto da população”.
Mecanismos de tortura
Ele diz ainda que a proposta vai também contra os direitos à saúde da população, “pois sabemos que essas supostas terapias de ‘cura gay’ nada mais são do que mecanismos de tortura que produzem efeitos psíquicos e físicos altamente danosos, que vão da destruição da auto-estima de um ser humano até o suicídio de muitos jovens – como ocorreu recentemente nos Estados Unidos, onde mais um adolescente gay, de 14 anos, tirou sua própria vida após ter sofrido assedio homofóbico na escola”.
O caso ocorreu quando o Senado dos Estados Unidos votava um projeto de lei que proibia professores de mencionar a homossexualidade em sala de aula e logo após outro adolescente gay do Tennessee, Jacob Rogers, tirar sua própria vida. Alguns dias antes, mais dois jovens estadunidense também se suicidaram, depois de anos de sofrimento: Jeffrey Fehr, 18, e Eric James Borges, de 19 (este último cresceu em uma família fundamentalista cristã que inclusive tentou exorcizá-lo).
“Essas supostas terapias, repudiadas unanimemente pela comunidade científica internacional, constituem um grave perigo para a saúde pública. Adolescentes e jovens são obrigados, muitas vezes pela própria família, a tentar mudar o que não pode ser mudado, são pressionados para isso por estes grupos que promoven as mal chamadas “terapias de reversão da homossexualidade” e acabam com graves transtornos psíquicos ou se suicidam”, conta Jean Willys.
Segundo ele, “os responsáveis desses crimes deveriam ser punidos, mas o deputado Campos propõe um amparo legal para que, além de fugir da responsabilidade penal pelos seus atos, possam dizer que a lei os protege e que suas atividades criminosas são lícitas”.
De Brasília
Com informações da Ass. Dep. Jean Willys
Agora é com vocês! Discutam,
debatam, concordem ou discordem, mas coloquem o ponto de vista de vocês a
respeito do assunto e como isso pode afetar (positiva ou negativamente) a
sociedade!
Data limite: 18/05/2012 (23h59min)
quinta-feira, 12 de abril de 2012
A Filosofia Platônica de "Shrek"!
"Atingir e conhecer o mundo das ideias, para Platão, deveria ser o objetivo de todos. Contudo, a maioria das pessoas fica muito satisfeita em viver no mundo das Aparências e não procura conhecer a
Essência das coisas" (pág. 23)
De acordo com o que foi trabalhado, com a ajuda da imagem e da citação da apostila de filosofia. Comente, discuta e debata, quantas vezes quiser, sobre como os filmes supra citados (ver o cartaz) podem ser um exemplo da visão de Platão sobre o mundo das aparências e essências!
OBS.: Postagens até meia noite do dia 19/04/2012
sábado, 31 de março de 2012
A Sociologia da "Partilha"!!!
Drama e comédia alternam-se para narrar, de forma terna, bem-humorada e emocionante, o relacionamento de quatro mulheres que se vêem fazendo um balanço de vida, dividindo sonhos, frustrações, ciúmes, rivalidades, intimidades. Após a morte da mãe, quatro irmãs - Lúcia, Regina , Selma e Laura - se reencontram para fazer a divisão dos bens da família. Durante a partilha, ainda sob o impacto da perda, as irmãs se desentendem. A cada louça ou quadro desenrola-se um tema e as irmãs vão assim discutindo suas vidas, expondo suas diferenças, fazendo com que assumam novas posições, superem as brigas e transformem suas vidas.
Depois de assistirem ao filme, pensem um pouco e digam: Por que o título é um grande paradoxo do que é mostrado na película? Que tema sociológico você destacaria do filme? Comente-o!
Obs.: Postagens até o dia 08-04-2012
sexta-feira, 23 de março de 2012
A Sociologia do Suicídio!
Por que uma pessoa se mata? Qual a relação entre a sociologia e o suicídio?
Maria Fernanda Vomero
A cada 40 segundos alguém se suicida em algum lugar do mundo. Uma das principais causas de morte entre os humanos, o suicídio estarrece, incomoda, silencia. Entenda o que gera o comportamento suicida e como esse gesto externo pode ser evitado
O desespero beira o insuportável. A cada dia, o sofrimento – físico ou emocional – fica mais intenso e viver torna-se um fardo pesado e angustiante. Sua dor parece incomunicável; por mais que você tente expressar a tristeza que sente, ninguém parece escutá-lo ou compreendê-lo. A vida perde o sentido. O mundo ao seu redor fica insosso. Você sonha com a possibilidade de fechar os olhos e acordar num mundo totalmente diferente, no qual suas necessidades sejam saciadas e você se sinta outro. Será que a morte é o passaporte para essa nova vida?
Atire a primeira pedra quem nunca pensou em morrer para escapar de uma sensação de dor ou de impotência extremas. Parece comum ao ser humano experimentar, pelo menos uma vez na vida, um momento de profundo desespero e de grande falta de esperança. Os adjetivos são mesmo esses: extremo, insuportável, profundo. Mas, aos poucos, os seus sentimentos e idéias se reorganizam. Suas experiências cotidianas passam a fazer sentido novamente e você consegue restabelecer a confiança em si mesmo. Você descobre uma saída, procura apoio, encontra compreensão. Aquele desejo autodestrutivo, aquela vontade de resolver todos os problemas num golpe só, se dilui. E você segue adiante. Muitos, no entanto, não conseguem encontrar uma alternativa. O suicídio, para esses, parece ser a última cartada, o xeque-mate contra o sofrimento, um gran finale para uma vida aparentemente sem sentido, para um presente pesado demais ou para um futuro por demais amedrontador. E eles se matam.
Imperscrutável, no limite, o suicídio não tem explicações objetivas. Agride, estarrece, silencia. Continua sendo tabu, motivo de vergonha ou de condenação, sinônimo de loucura, assunto proibido na conversa com filhos, pais, amigos e até mesmo com o terapeuta. Mas as estatísticas mostram que o suicídio precisa, sim, ser discutido. Trata-se, além de uma expressão inequívoca de sofrimento individual, de um sério problema de saúde pública. Segundo o mais recente relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 815 mil pessoas se mataram no ano 2000 em todo o mundo – uma taxa de 14,5 para cada 100 mil habitantes. Isso significa um suicídio a cada 40 segundos. A "violência autodirigida", como o suicídio é classificado pela OMS, é hoje a 14ª causa de morte no mundo inteiro. E a terceira entre pessoas de 15 a 44 anos, de ambos os sexos. Não pode mais ser ignorada.
Casos de suicídio muitas vezes são deliberadamente mascarados nas estatísticas oficiais. Suicídios de crianças tidos como morte acidental ou acidentes de automóvel, causados por jovens que dirigem alcoolizados e em alta velocidade: para os especialistas, esses são, sim, atos suicidas. "Se você investigar a vida dessas crianças e jovens semanas ou meses antes da morte, pode identificar sinais de que algo não ia bem", diz a psicóloga Ingrid Esslinger, do Laboratório de Estudos sobre a Morte da Universidade de São Paulo (USP). A poeta americana Sylvia Plath (1932-1963) tentou se matar duas vezes antes de concretizar o suicídio (tais experiências levaram-na a escrever o romance A Redoma de Vidro). Uma das vezes foi um "acidente de carro". Aparentemente, Sylvia perdera os sentidos no volante e deixara o carro sair da estrada e ir ao encontro de um aeródromo. Segundo o crítico literário Alfred Alvarez, amigo da poeta, a própria Sylvia admitiu que saíra intencionalmente da estrada, com o objetivo de morrer.
"Todos já pensamos em suicídio em algum momento na vida. É um pensamento humano. Se não desejamos nos matar, ao menos cogitamos morrer – morrer para escapar do sofrimento, para nos vingar, para chamar a atenção ou para ficar na história", diz o psiquiatra e psicanalista Roosevelt Smeke Cassorla, da Sociedade Brasileira de Psicanálise, um dos maiores especialistas brasileiros em suicídio. "Mas resolvemos continuar vivos e melhorar as nossas condições de vida. O suicídio, então, soa como um desatino. A pergunta que fica é: por que algumas pessoas desistem e outras não?"
Por trás do comportamento suicida há uma combinação de fatores biológicos, emocionais, socioculturais, filosóficos e até religiosos que, embaralhados, culminam numa manifestação exacerbada contra si mesmo. Para decifrá-los, os estudiosos recorrem à "autópsia psicológica", um procedimento que tem por finalidade reconstruir a biografia da pessoa falecida por meio de entrevistas e, assim, delinear as características psicossociais que a levaram à morte violenta.
"Existem causas imediatas predisponentes – como perda do emprego, fracasso amoroso, morte de um ente querido ou falência financeira – que agem como o último empurrão para o suicídio", diz a psicóloga Blanca Guevara Werlang, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), especialista em autópsia psicológica. "A análise das características psicossociais do indivíduo, porém, revela os motivos que, ao longo da vida, o auxiliaram a estruturar o comportamento suicida. Pode mostrar as razões para morrer que estavam enraizadas no estilo de vida e na personalidade."
Fenômeno complexo, o suicídio configura um assassinato, em que vítima e agressor são a mesma pessoa. "A definição de suicídio implica necessariamente um desejo consciente de morrer e a noção clara de que o ato executado pode resultar nisso. Caso contrário, é considerado morte por acidente ou negligência", diz o psiquiatra José Manoel Bertolote, líder da Equipe de Controle de Transtornos Mentais e Cerebrais do Departamento de Saúde Mental e Toxicomanias da OMS.
O fato de estar consciente de que vai efetuar um ato suicida não elimina, no entanto, o estado de confusão mental que o indivíduo experimenta momentos antes da ação. "Ele não sabe se quer morrer ou viver, se quer dormir ou ficar acordado, fugir da dor, agredir outra pessoa ou, de fato, encontrar o mundo com o qual fantasia", diz Roosevelt. Afinal, o suicida tem diante de si duas iniciativas complexas e contraditórias a conciliar naquele momento: tirar a vida e morrer. O suicídio ocorreria, então, num instante em que a pessoa se encontra quase fora de si, fragmentada, com os mecanismos de defesa do ego abalados e, por isso, "livre" para atacar a si mesma.
Há suicídios e suicídios. Por isso, os especialistas costumam avaliar a tentativa de se matar ou o ato propriamente dito a partir de duas variáveis: a intencionalidade e a letalidade. A primeira diz respeito à consciência e à voluntariedade no planejamento e na preparação do ato suicida. A segunda, ao grau de prejuízo físico que a pessoa se inflige. Existem casos em que o indivíduo demonstra evidente intenção de morrer e alto grau de letalidade, ao optar por um método eficiente. Em outras ocorrências, a vontade de morrer é fraca, apesar de voluntária, e o método escolhido é pouco prejudicial. Ou seja: há casos de suicidas propriamente ditos. E há casos em que a pessoa só está pedindo socorro, implorando para ser resgatada. Claro que há quem não queira enfaticamente a morte mas, por usar um meio perigoso, acabe sendo bem-sucedido.
E outros, cujo objetivo é mesmo acabar com a própria vida, por desconhecimento da maneira mais efetiva de causar danos graves a si mesmos, acabam sobrevivendo. (Aliás, esses, se não receberem tratamento adequado, são candidatos a uma nova tentativa.)
"Minha cabeça não recupera"
Dados da OMS indicam que o suicídio geralmente aparece associado a doenças mentais – sendo que a mais comum, atualmente, é a depressão, responsável por 30% dos casos relatados em todo o mundo. Estima-se que uma em cada quatro pessoas sofrerá de depressão ao longo da vida. Entre os subtipos, a depressão bipolar – em que fases de euforia e apatia profundas se alternam – parece ser a de maior risco. O alcoolismo responde por 18% dos casos de suicídio, a esquizofrenia por 14% e os transtornos de personalidade – como a personalidade limítrofe e a personalidade anti-social – por 13%. Os casos restantes são relacionados a outros diagnósticos psiquiátricos.
Estudos de autópsia psicológica (feitos com base em entrevistas com amigos, familiares e médicos do suicida) mostram que mais de 90% das pessoas que se mataram no mundo tinham alguma doença mental. Entretanto, doenças psiquiátricas não são condição suficiente para o comportamento suicida, já que outros fatores – emocionais, socioculturais e filosóficos – também entram em jogo. Na verdade, essas doenças provocam uma vulnerabilidade maior ao suicídio. "É comum que a pessoa, quando está com depressão, tenha pensamentos pessimistas, ache que a vida não vale a pena e que talvez fosse melhor morrer", diz o psiquiatra Humberto Corrêa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Mas a maioria dos deprimidos não tentará se matar. Somente os mais impulsivos e agressivos procuram o suicídio."
Hoje, sabe-se que indivíduos com alteração no metabolismo da serotonina – um dos mensageiros químicos mais importantes do nosso cérebro – apresentam maior risco de suicídio que os demais. Em sua pesquisa sobre a genética do comportamento suicida, Humberto analisou pacientes com depressão e esquizofrenia e constatou que todos aqueles que haviam tentado se matar tinham a chamada função serotoninérgica diminuída...
"Desculpa, não consegui"
O escritor italiano Cesare Pavese (1908-1950), 12 anos antes de se matar com barbitúricos, tinha escrito: "Ninguém nunca deixa de ter um bom motivo para o suicídio". A angústia existencial do suicida sempre vai fornecer justificativas para a sua morte. Ele sempre poderá enxergar a vida sem sentido ou ver prevalecer em si um sentimento neurótico de desvalia, derrota e de baixa auto-estima. Daí a criação de fantasias em torno da morte. Como se trata de um fenômeno pouco entendido e também considerado tabu (leia a matéria "Morte", na Super de fevereiro de 2002), o suicídio geralmente é recriado de acordo com as expectativas do indivíduo. O suicida não pensa, por exemplo, que vai se decompor e virar pó.
"O suicídio é um ato de linguagem, de comunicação. Como vivemos numa rede de relacionamentos, a nossa morte significa algo para as outras pessoas", diz a psicóloga Maria Luiza Dias Garcia, coordenadora da Clínica de Psicoterapia Laços, em São Paulo, que analisou mensagens (bilhetes, cartas, gravações) deixadas por suicidas no livro Suicídio – Testemunhos do Adeus. "Constatei, pelos discursos, que o suicida está num quadro de embotamento, como se estivesse afogado nas próprias emoções. Ele não aproveita os vínculos sociais para partilhar seus sentimentos e vê o mundo de uma maneira muito própria." O suicídio, então, torna-se um meio de expressão, uma fala que não pôde ser dita.
Os especialistas costumam diferenciar as tentativas de suicídio do ato em si, uma vez que, de acordo com a intencionalidade e a letalidade, o gesto pode assumir sentidos diferentes. As tentativas de se matar são vistas como um grito por ajuda, sintoma de uma falha tanto no sistema familiar quanto no grupo social. "O indivíduo não consegue pedir socorro de outro modo, então opta por um ato extremo", diz a psicóloga Denise Gimenez Ramos, da PUC de São Paulo. "Por que ele não foi ouvido? Todos dão conselhos, mas ninguém ouve o que ele tem a dizer. Esse indivíduo, portanto, fica com a impressão de que não existe para o mundo."
Incapazes de comunicar a própria dor, os suicidas recorrem a algumas fantasias para justificar a si mesmos a autodestruição. A busca de uma outra vida é uma das mais comuns. O indivíduo enxerga no suicídio a oportunidade de interromper uma existência infeliz e recomeçar, com uma nova chance para acertar. Matar-se também pode ser um jeito de acelerar o reencontro com pessoas queridas já mortas – o pai, a avó, um amigo, o cônjuge. Outras fantasias comuns acerca do suicídio: gesto de vingança ou rebeldia, castigo e autopenitência. "A idéia da não-existência é tão insuportável que a mente humana inevitavelmente recorre às fantasias para levar adiante o projeto de auto-aniquilamento", diz Roosevelt Cassorla. Mas o indivíduo nem sempre tem acesso consciente a essas fantasias.
O psicólogo Valdemar Angerami-Camon, do Centro de Psicoterapia Existencial, chefiou por quatro anos o Serviço de Atendimento aos Casos de Urgência e Suicídio da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo e constatou como tais fantasias estão presentes na mente daqueles que querem se matar. "O que me impressionava eram as pessoas que tentavam suicídio dizerem que não queriam morrer", diz Valdemar. "Como alguém tenta o suicídio e diz que não quer morrer? Na verdade, queriam acabar com uma situação de desespero. Como não conseguiam ver outra alternativa, recorriam ao suicídio. Mas, ao depararem com a possibilidade concreta da morte, percebiam que não queriam, de fato, morrer."
O psiquiatra Claudemir Rapeli, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), autor de dois extensos trabalhos sobre suicídio, também constatou esse sentimento em boa parte dos suicidas que atendeu no Hospital das Clínicas de Campinas. "O arrependimento é imediato. Reconhecem que foi uma atitude impulsiva, desesperada, ansiosa." Claudemir conta a história de um rapaz de 18 anos que tentou suicídio tomando um agrotóxico letal. (A substância provoca, em algumas semanas, uma espécie de fibrose pulmonar que impede a respiração normal e o indivíduo morre sufocado.) "Quando ele começou a sentir que não ia melhorar, que os médicos não podiam fazer mais nada, o pânico dele foi comovente", afirma. "A motivação foi banal – uma briga com a namorada por achar que ela o estava traindo. Tomou o veneno para livrar-se da rejeição, mas não queria a morte. Ele pedia a todos os médicos que não o deixassem morrer."
Você pode argumentar que muita gente se vê em situações de grande desespero ou solidão existencial e, mesmo assim, não busca o suicídio. O que faz a diferença? Na verdade, não existe uma personalidade suicida – existe, sim, uma vulnerabilidade emocional (que pode ser trabalhada com o apoio de um parente, um psicoterapeuta ou um amigo). "Quem tem uma estrutura de ego frágil pode não suportar uma grande perda ou um momento de crise e, num impulso, acaba cometendo o suicídio", diz Ingrid Esslinger. O ego se constitui a partir dos primeiros vínculos afetivos, do modo com que o bebê foi cuidado pelas figuras de apego e da educação que a criança recebeu. Um ego fraco não tolera a frustração, não tem capacidade de espera, não suporta lidar com a impotência, com os limites e com os "nãos" que a vida impõe.
"O sistema mata!"
Mesmo sendo resultado de uma escolha individual, o suicídio também é visto como uma questão social. O pioneiro no estudo desse campo foi o sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917), com o clássico O Suicídio, de 1897. "Existem vários estudos comprovando a influência da cultura, do ambiente e da religião sobre as taxas de suicídio, seja como facilitadores, seja como limitantes", afirma José Manoel Bertolote. Ele e a equipe do Departamento de Saúde Mental e Toxicomanias da OMS publicaram recentemente um estudo, numa revista científica norueguesa, mostrando que as taxas de suicídio mais baixas encontram-se em países islâmicos, seguidos de países hinduístas, cristãos (mais baixas em católicos que em protestantes) e budistas, nessa ordem.
As taxas mais altas vêm de países "ateus", que compunham o antigo bloco comunista: Lituânia, Letônia, Estônia, Rússia, Cuba e China. A religião aparece, portanto, como um mecanismo de "proteção" contra o comportamento suicida (todas as crenças religiosas condenam, em maior ou menor grau, o suicídio).
Combinada a outras influências, a religião pode ser também fator de estímulo para os "suicídios altruístas ou heróicos", na definição de Durkheim. Cada membro do grupo está disposto a sacrificar a sua vida em prol das crenças. "Os casos mais recentes são os dos homens-bomba entre os palestinos e dos suicidas de 11 de setembro, relacionados a situações políticas muito específicas e à crença religiosa islâmica", afirma Maria Cecília de Souza Minayo, doutora em Saúde Pública e professora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.
Embora as mulheres sejam mais propícias a ter pensamentos suicidas que os homens, as taxas de suicídio masculino são mais elevadas. E os métodos que eles usam são mais definitivos e violentos, como uso de arma de fogo e enforcamento. Em média, ocorrem cerca de três suicídios masculinos para um feminino – com exceção de algumas regiões da Ásia, em especial na China, onde o número de mulheres que se matam supera o de homens e há mais casos no meio rural que nas cidades –, o que também contraria o padrão mundial.
Cada sociedade tem uma taxa mais ou menos constante de suicídios. No caso do Brasil, a média é de 4,5 suicídios por 100 mil habitantes nos últimos 20 anos. Número relativamente baixo, se comparado à taxa da Finlândia, por exemplo, que é de 23,4 casos em 100 mil pessoas. As taxas brasileiras de suicídio se elevam conforme a idade dos indivíduos, até atingir sua máxima expressão na faixa de 70 anos ou mais, quando chegam a 7,3 suicídios em 100 mil habitantes. Dentro de um país, o Brasil ou outro, as taxas mais altas vêm da comunidade indígena e dos imigrantes, principalmente dos núcleos que perderam muito da sua identidade cultural. Segundo a OMS, há fatores que claramente aumentam a probabilidade de suicídio no grupo social. Taxas de suicídio são altas durante épocas de recessão econômica e de forte desemprego. Também se elevam em períodos de desintegração social e instabilidade política.
"A adolescência e a velhice são os dois momentos mais propícios tanto para a ideação e as tentativas de suicídio quanto para concretização do ato, por razões diferentes", diz Cecília. Na velhice, os motivos com freqüência se devem à depressão, a sentimentos de rejeição e abandono e à dificuldade de aceitar certas enfermidades dolorosas e incapacitantes, como o câncer. "Na adolescência, os problemas de conflito familiar, de dificuldades de identificação, os sentimentos de perda ou de inferioridade, a baixa auto-estima, em casos específicos de personalidades com tendências depressivas e de isolamento, podem se associar e resultar em tentativas ou em atos de suicídio", afirma ela.
O cansaço existencial e as crises constantes também alimentam o desejo de morrer.
"Eu não deveria existir"
Para o filósofo e escritor argelino Albert Camus (1913-1960) só há um problema filosófico verdadeiramente sério sobre o qual o homem deve refletir: o suicídio. Segundo ele, a questão fundamental da filosofia é responder se vale a pena ou não viver. "O homem vive num clima de absurdo e pouco pode esperar da história. Esses obstáculos colocam a existência como um problema. Novamente, a pergunta se impõe: viver vale a pena?", diz o filósofo Franklin Leopoldo e Silva, da USP. "Na perspectiva de Camus, o suicídio está sempre no horizonte do indivíduo porque a pergunta sobre a validade da vida é permanente. Isso não significa que a morte é a única solução. A saída pode ser o enfrentamento lúcido, ainda que um tanto solitário, desse clima de absurdo."(...)
Levado às últimas conseqüências, o suicídio também pode parecer um ato de afronta a Deus. "Tirar a própria vida dá, ao indivíduo, a sensação de fazer algo que é divino e entrar em contato com o mistério", afirma Denise Ramos. "O suicida passa da extrema impotência – não posso mudar nada – à extrema potência – acabo com a minha vida quando e como eu quero. Nesse momento, em sua fantasia, se iguala a Deus por provocar também um ato que vai além da natureza humana."
Para o teólogo e filósofo Renold Blank, da Pontifícia Faculdade de Teologia de São Paulo, tal atitude de achar-se o único responsável pela própria vida ultrapassa os limites éticos. "Do ponto de vista ético, a vida de cada ser humano tem sentido não só para si mesmo, mas para os outros também", diz ele. "Por meio da minha vida, dou sentido à vida dos outros e, assim, a minha existência ganha significado. Se acabo com a minha vida, acabo com todas as possibilidades de dar sentido à vida de outras pessoas. Falho em minha responsabilidade com os demais." As ações de cada indivíduo repercutem no grande sistema de relações sociais e ganham uma dimensão histórica – o que é feito hoje, mesmo em âmbito pessoal, tem sempre uma conseqüência futura. O suicídio funciona, então, como uma brusca ruptura dessa rede.
"O suicídio é um ato privado que não representa somente uma violência contra si mesmo, mas também contra mais, pelo menos, seis pessoas. Elas são forçadas a conviver com os sentimentos de vingança, vergonha, culpa, sofrimento psicológico, medo de enlouquecer e de também cometer o suicídio", afirma o suicidologista australiano Diego De Leo, diretor da Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP, na sigla em inglês), organização não-governamental que reúne profissionais e entidades envolvidas no estudo do comportamento suicida.
"Sei que vocês me perdoarão"
No núcleo familiar e comunitário, a melhor prevenção é falar sem temores sobre suicídio e saber identificar os pedidos de socorro das pessoas próximas. "Ninguém precisa dar uma solução para os problemas do outro, deve apenas aprender a ouvir. As pessoas encontram as soluções dentro de si quando conversam e refletem sobre seus conflitos e emoções", diz Denise.
Apostando nessa fórmula, existe o serviço de prevenção ao suicídio do Centro de Valorização da Vida (CVV), uma entidade não-governamental de atendimento humanitário criada há 40 anos e presente em todo o Brasil. O CVV segue os moldes dos Samaritanos, de Londres, uma entidade fundada no início dos anos 1950 para atender pessoas angustiadas que precisavam de apoio psicológico. Todos os voluntários são treinados para ouvir seus interlocutores (por telefone, carta, e-mail ou pessoalmente) sem nenhum tipo de julgamento e respeitar sua decisão, mesmo que seja a de cometer o suicídio. "Respeitamos o sofrimento de quem nos telefona. Ele tem a liberdade de falar sobre o que quiser durante o tempo que for necessário", conta Adriana, voluntária do Posto da Vila Carrão, em São Paulo, e assessora de comunicação do CVV. "Estamos disponíveis para ouvir o que cada um tem a dizer sobre seus medos, dificuldades e angústias e ajudar a revalorizar a própria vida."
O serviço atende, em média, 1 milhão de ligações por ano. Isso revela a necessidade que as pessoas têm de falar sobre seus conflitos. Quando o assunto é suicídio, abrir-se pode ser terapêutico.
A experiência do CVV, dos Samaritanos e de outros programas semelhantes demonstra que o primeiro passo para evitar o suicídio está no resgate do sentido da existência. "O que motiva o suicida é a falsa idéia de que sua vida não tem mais valor nem para si mesmo nem para os outros", diz Renold Blank.
Fonte: Revista Super Interessante. Edição 184 – Janeiro/2003
Obs.: Para saber mais leia também o seguinte artigo: http://br.omg.yahoo.com/blogs/podeisso/mulher-105-anos-se-suicida-125102995.html
NA LIVRARIA
Quando a Noite Cai – Entendendo o Suicídio
Kay Redfield Jamison. Gryphus, Rio de Janeiro, 2002
Suicídio, Testemunhos do Adeus
Maria Luiza Dias. Brasiliense, São Paulo, 1991
O Deus Selvagem – Um Estudo do Suicídio
A. Alvarez. Companhia das Letras, São Paulo, 1999
O Que é Suicídio
Roosevelt M.S. Cassorla. Brasiliense, São Paulo, 1985
Do Suicídio – Estudos Brasileiros
Roosevelt M.S. Cassorla (org.). Papirus, Campinas, 1998
Suicide and the Unconscious
Antoon Leenaars and David Lesters (ed.).
Jason Aroson, Estados Unidos, 1996
Dicionário de Suicidas Ilustres
J. Toledo. Record, Rio de Janeiro, 1999
O Suicídio: Um Estudo Sociológico
Émile Durkheim. Zahar, Rio de Janeiro, 1982
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Empolgado...
Fui com tanta sede ao pote que até esqueci de falar o motivo da criação do blog. Até rimou...
Então esse blog é fruto de um trabalho da faculdade (UERJ/Cederj) na disciplina Informática na Educação, onde o objetivo era a melhor dinamização e facilidade com os usos das novas tecnologias, assim proporcionando um espaço de dialogo, discussão, debate, avaliação, contribuições e participação de todos.
Espero que todos gostem e usem democraticamente este ambiente!
Vamos lá, agora que as apresentações foram feitas...
Então esse blog é fruto de um trabalho da faculdade (UERJ/Cederj) na disciplina Informática na Educação, onde o objetivo era a melhor dinamização e facilidade com os usos das novas tecnologias, assim proporcionando um espaço de dialogo, discussão, debate, avaliação, contribuições e participação de todos.
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Grande Mestre - Rubem Alves!
Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
"Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado".
"Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado".
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